

Terrorismo Poético
Dance a noite toda no interior de um caixa eletrônico
Arrombe apartamentos e deixe presentes poéticos
Sequestre alguém e faça-o feliz
Pássaros bêbados atacam janelas de prédio nos EUA
Mais uma aberração para os Médicos Veterinários tratarem.
Columbia, EUA - Dezenas de pássaros, bêbados depois de comer frutas fermentadas, chocaram-se contra as janelas de um prédio de escritórios. Muitos morreram. "Foi como no filme de Alfred Hitchcock", disse a funcionária Denise Wilkinson. "Foi assustador. Dava para escutá-los voando direto no vidro".
O tempo quente e o grande suprimento de frutinhas nas árvores atraíram centenas de pássaros para o jardim interno do prédio de três andares, na terça-feira. As aves começaram a se embebedar ao comer as frutas que haviam fermentado. Elas ficaram tão tocadas que algumas começaram a cair dos ramos, e outras voaram de encontro às paredes de vidro que cercam o jardim.
Cerca de metade dos 100 pássaros que bateram nas janelas morreram. Os zeladores do prédio tentaram ajudar as aves, colocando fita adesiva opaca nas janelas e redes sobre os arbustos, para impedir o consumo das frutas.
Fonte: Estadão
Da série "Coisas nojentas que só acontecem comigo", nº 54.298
Eu estava gripado desde domingo.
Por mais incrível que pareça, hoje acordei bem disposto.
Tomei um banho, escovei os dentes, vi que havia pão recém comprado na padaria e fui ler os e-mails, antes de começar a trabalhar.
Alguns minutos depois, meu misto quente com atum ficou pronto e, ao mesmo tempo em que conversava no MSN, comecei a comer.
Em determinado momento, dei uma mordida maior do que deveria no misto, pra livrar as mãos, e fiquei com a boca completamente cheia.
Eu mastigava, mastigava, mastigava e sentia que ainda não tinha engolido nem 1/3 do misto com atum.
De repente, veio aquela vontade gigantesca de espirrar. Pensei "isso não está acontecendo" e, além da vontade de espirrar, fiquei com uma vontade tremenda de rir.
E o “misto” ainda estava lá, sendo mastigado.
Subitamente, o espirro veio.
Depois de rir muito, limpar a mesa, o monitor, o teclado e parte do chão, resolvi compartilhar este momento com você, fiel leitor.
Não se pode ter tudo...
E, de uns tempos pra cá, o menino surpreende-se, pelos cantos, pensando naquele curtíssimo espaço de tempo chamado vida.
Talvez ele esteja começando a entender que ela passa tão rápido quanto aquela semifusa dos chorinhos que ele tanto gosta de achar que sabe executar.
Enquanto pensa, às vezes brotam de seus olhos algumas lágrimas.
Felicidade, saudade, alegria, medo, satisfação, delírio, amor, sofrimento, dúvida, melancolia, amizade... Cada uma das lágrimas é devidamente etiquetada.
Uma coisa não se pode negar: ele é feliz. Mas, como sempre, é um estrangeiro.
Seus amigos estão por aí, dispersos pelos mais fantásticos mundinhos desta vida e, enquanto isso, o menino está trancado em seu mundinho, precisando de um caminhão de abraços demorados, apertados e sinceros.
Talvez ele também precise chorar um pouco.
E o novo ano começa agora!
Não podemos esquecer que, no Brasil, o ano sempre começa após o Carnaval.
Pois, como promessa de ano novo, decidi voltar a escrever aqui com mais freqüência.
E vou dar um jeito de isolar algumas sub-personalidades para que as pessoas parem de confundi-las e se preocuparem à toa! E vice-versa, também.
Um brinde ao sonho de uma vida melhor!
Um post aos românticos
(Abigail) - Deus é bom – replicou ela com enlevo – e somente agora reconheço que, depois de tantos sofrimentos, Ele me reservava, na sua misericórdia infinita, o tesouro maior da minha vida, o teu amor, na terra de meus pais. Teu afeto, Saulo, concentra todos os meus ideais. Todas as manhãs, quando estivermos casados, pedirei, em preces fervorosas, aos anjos de Deus que me ensinem a tecer a rede das tuas alegrias; à noite, quando a bênção do repouso envolver o mundo, dar-te-ei um carinho sempre novo, do meu afeto. Tomarei tua cabeça atormentada pelos problemas da vida e ungirei tua fronte com a carícia de minhas mãos. Ser-te-ei fiel por toda a vida e amarei os próprios sofrimentos que acaso o mundo possa acarretar-me, por amor à tua vida e ao teu nome.
(Saulo) - Dar-te-ei, por minha vez, meu coração dedicado e sincero. Abigail, meu espírito estava possuído somente do amor à Lei e a meus pais. Minha mocidade tem sido muito inquieta, mas pura. Não te oferecerei uma flor sem perfume. Desde os primeiros dias da juventude, conheci companheiros que me incitaram a lhes seguir os passos incertos na embriaguez dos sentidos, precursora da morte de nossas preocupações mais nobres neste mundo, mas nunca trai o ideal divino que me vibra na alma sincera. Depois dos estudos iniciais da minha carreira, encontrei mulheres que me acenavam, levadas por uma concepção perigosa e errônea do amor. Em Tarso, nos dias suntuosos dos jogos juvenis, após a conquista das melhores láureas, recebia de jovens inquietas, declarações de amor e propostas de núpcias, mas, a verdade é que permanecia insensível, a esperar-te como heroína ignota do meu sonho, nas assembléias ostentosas de púrpuras e flores. Quando Deus aqui me conduziu ao teu encontro, teus olhos me falaram, num lampejo, de sublimes revelações. És o coração do meu cérebro, a essência do meu raciocínio e serás a mão guiadora das minhas edificações, em toda a vida.
(É uma das juras de amor mais lindas que já li. Minha vida anda tão maluca que não tenho tido tempo pra escrever por aqui. Mas, logo, eu voltarei!)
Cena 1
Estou numa fase de reencontrar as pessoas. Ontem revi uma amiga de muitos anos atrás: a Patrícia. Papo vai, papo vem, ela me falou de seus planos para universalizar algumas palavras que ela considerava essenciais:
Amor
(“porque é um sentimento nobre”)
Chocolate
(“porque é um alimento nobre”)
Caralho
(“porque é um xingamento nobre”)
Lantejoula
(????????????)
“Porque eu adoro falar ‘lantejoula’! Repita comigo: lan-te-jou-la! Olha que delícia!”
E eu que achei que só eu prestasse atenção nestas coisas! Estranheza típica de quem já morou fora do Brasil.
Cena 2
qual seu nome?
Marcelo.
é? Então somos xarás, o meu também é Marcelo.
ah é?
isso. Você acha seu nome bonito?
eu acho.
eu também acho.
e você acha seu nome bonito?
acho sim. você também acha?
eu também.
Uma das conversas mais profundas que alguém pode ter é com um menino de 3 anos.
Não pode tocar...
Entro num museu, páro em frente a um quadro, a uma escultura, a uma cerâmica, e enxergo o aviso: não pode tocar. Não posso, então não toco, tudo bem. Não tocarei pra não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos. Nada de sentir a textura do material, nada de deixar minhas digitais impressas, de desgastar as cores com meus dedos. Então a gente respeita, não chega muito perto, não atravessa a linha amarela, nada de macular a obra com nosso hálito quente e nosso olhar aproximado demais.
Assim é também entre homens e mulheres, entre pais e filhos, entre amigos que procuram se proteger: não se pode tocar em determinados assuntos.
Há questões que arriscam ser maculadas com palavras, que um olhar aproximado demais poderia danificar. Instaura-se sempre um silêncio de museu ao nos aproximarmos de temas perigosos. Tolera-se apenas o som da tevê, de um teclado de computador, de alguém falando ao telefone, ruídos parecidos com silêncio, já que não fazem barulho excessivo, não incomodam o suficiente. Palavras incomodam o suficiente. Vamos falar sobre o que nos aconteceu cinco anos atrás. Vamos conversar sobre a morte do seu pai. Vamos tentar entender juntos a razão de você estar bebendo desse jeito. Me diz o que te perturbou na infância. Não, não quero tocar neste assunto.
Mantenha-se atrás da faixa amarela, não chegue muito perto, não acerque-se de meus traumas, não invada meus mistérios, não atrite-se com o meu passado, não tente entender nada: é proibido tocar no sagrado de cada um.
Todas as relações do mundo possuem sua prateleira de cristais. Há sempre um suspense, uma delicadeza ao transitar pela fragilidade do outro. Melhor não falar muito alto, é mais prudente ir devagar e com cuidado. Para não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos.
Feriado 02 de novembro
Aconteceu mais ou menos assim:
Estávamos no Shopping Barigui para assistir A Dona da História (pela segunda vez), aproveitando o domingo de feriado para encontrar os amigos: Tico, Joana, Amanda, Vina, Rodrigo e eu.
Quando me dei conta, uma força estranha nos levou ao centro daquele templo do consumo, num lugar onde crianças eram exploradas a pagar 10 paus para pular por 3 minutos numa cama elástica, com cordas elásticas amarradas na cintura.
Não lembro de mais nada, devo ter sido alvo de algum magnetismo hipnótico. Quando me dei conta, estávamos na fila do ingresso:
(a mulher do balcão): "Quantas?"
(Marcelo zumbi): “Opa, desculpa, pois não?”
(mulher do balcão): “Quantas crianças?”
(Marcelo arroz-de-festa): “Somos nós mesmos moça, a gente quer brincar também!"
Q fiasco... 
E pra piorar a situação, havia um rapaz muito entusiasmado com o trabalho de amarrar as crianças e puxá-las para o alto com as cordas. Com certeza sua foto está no quadro de funcionário do mês. (irônico)
Top 10 do feriado
- Waffle com calda de chocolate e uma bola de sorvete
- Nenê babando no ombro do pai
- Menininho batendo no Vina sem motivo aparente
- Pular no Eurojump do Shopping Barigui e dar 3 min de piruetas por R$ 10 
- Tour pela noite curitibana no domingo à noite
- Sapo que foi para a festa do céu escondido dentro da viola porque não tinha asas
- Celular da verdade
- Funcionário do mês
- Escuridão atrás da porta 
- Sobrinhos invadindo meu quarto às 9h da madruga
Tudo isso sem ordem alguma, pois feriado é um caos.
Os nossos caricaturistas
Dizíamos na introdução da série “Ninguém alcança a felicidade sozinho” que o homem só é humano enquanto vive em sociedade. Quem já leu a história de Robinson Crusoé lembrará que, no momento em que ele encontra a pegada de Sexta-feira na areia da praia, começam seus problemas éticos. Já não se trata apenas de sobreviver, como um animal na natureza; agora precisa começar a viver humanamente, ou seja, entre homens. O que faz a vida ser humana é o transcorrer em companhia de seres humanos, falando com eles, sendo respeitado ou traído, amando, fazendo projetos e recordando o passado, desafiando-se, organizando juntos as coisas comuns, jogando, trocando símbolos...
Nesse caldo de relacionamentos, não devemos apenas aos amigos o nosso amadurecimento e progresso na vida. Também aquelas pessoas “indesejáveis”, que nos importunam, deixam incomodados, ajudam nessa mesma finalidade.
Se pudéssemos conceber uma pessoa perfeita, cujo caráter não se ressentisse de nenhum relacionamento, tal indivíduo seria inacessível a qualquer tentativa de irritá-lo. Muitas vezes desejamos ser essa pessoa, que não deixa transparecer nenhum defeito aos olhos dos outros. Mas, os “indesejáveis” parecem sempre descobrir essa brecha, tornando à mostra justamente o nosso ponto fraco. A isto se deve nossa reação de querê-los longe, porque insistem em lembrar de que não somos perfeitos.
Dizem que os rinocerontes são praticamente invulneráveis às balas de armas de fogo, pela resistência da sua couraça. Conhecendo essa particularidade, os caçadores buscavam atingi-lo no focinho, o ponto vulnerável por onde a bala penetra, matando-o.
Parece que certas pessoas agem justamente como o caçador, com ou sem intenção. Lembram de que sou realmente “egoísta”, “irresponsável”, “superficial”, e outras coisas que todos nós temos mal-resolvidas dentro de nós pela repressão do pensamento – afinal, ninguém será seu amigo se você for chato, mostrar os defeitos que você possui. Esquecem que todos nós temos nossas imperfeições, em maior ou menor grau, e que reprimi-las não fará nada para que se resolvam.
Os caricaturistas são pessoas que se dedicam a descobrir nossos aspectos físicos mais que nós mesmos. Dedicam-se ao conhecimento das nossas características mais acentuadas (aquele nariz que achamos que não é tão grande, a boca, as orelhas...), já que mostram pelo desenho o que normalmente não queremos ver – os nossos “defeitos” ampliados. Conheço pessoas que sentem pavor ao ver um caricaturista, talvez pela dificuldade de aceitar seus “defeitos” ou como realmente são fisicamente (claro, um pouco mais exagerado).
Aquelas pessoas que normalmente achamos “indesejáveis” procedem como os caricaturistas, com a diferença que estes exageram os aspectos físicos, enquanto que aqueles enxergam os aspectos morais ou psíquicos. A habilidade do caricaturista está em pôr em evidência certas desarmonias da nossa fisionomia.
Os caricaturistas morais, no entanto, conhecem o lodo guardado e escondido dentro de nós, e fazem o trabalho de lembrar-nos de nossa figura mal-resolvida.
É um trabalho que normalmente os nossos amigos não fazem, com raras exceções, pois têm medo (muito natural) de perder o amigo.
Vamos comparar com uma jarra de água que possui no fundo uma porção de terra. Enquanto a água estiver parada, a terra irá permanecer imóvel no fundo da jarra, dando a impressão para quem olha superficialmente de que aquela jarra contém água limpa. Se resolvermos adicionar mais água à jarra, esse movimento de água limpa que entra revolverá o lodo do fundo da jarra fazendo-a transbordar. À primeira vista, a água aparecerá mais suja do que anteriormente por causa da agitação, mas com o tempo a lama, transbordando junto com a água, sairá do recipiente, tornando o conteúdo do jarro cada vez mais limpo, drenando o lodo estacionado no fundo.
Revolver o lodo dos nossos defeitos do fundo da jarra – este é o trabalho que os “indesejáveis” fazem conosco. Não chamamos de “indesejáveis” apenas os nossos inimigos de carteirinha, aquelas pessoas que odiamos, mas também aqueles amigos ou pessoas próximas que às vezes nos fazem desejar que sumam da nossa frente.
Tantas vezes acontecem essas dificuldades de relacionamentos que acabamos por nos conhecer melhor, podendo então corrigir as desarmonias do caráter, a fim de não sentirmos mais o desejo de afastar os “indesejáveis”, por não incomodarem mais. Por isso, essas pessoas e situações prestam-nos valioso serviço, no qual vale a pena refletir.
A água limpa, no começo, irá se tornar um pouco mais suja, pelas sensações naturais e instintivas que sentimos – raiva, contrariedade, orgulho, etc -, mas você está trabalhando as suas más inclinações. Por isso o trabalho de renovação dos sentimentos é difícil, por isso amar é difícil, porque é preciso trazer a tona nossas dificuldades, e resolvê-las.
Não reprimir os pensamentos, mas parar para conversar consigo mesmo – “O que é este desejo? Porque ajo assim? Porque sinto raiva com essa pessoa? Porque ela me incomoda?” – é o melhor a fazer para não deixar esse lodo estacionado e escondido, e principalmente não guardar ressentimentos.
Agora a pergunta milionária: algo disso tudo diz alguma coisa sobre os relacionamentos amorosos?
(PS: Para aqueles que comentaram e comentarão daqui por diante, aviso que responderei os comentários na própria janela de comentários. Vejam no post anterior, por exemplo)
Bibliografia que influenciou a produção desse texto:
VINÍCIUS. Em torno do Mestre. Editora da FEB, 1991.
SAVATER, Fernando. Ética para meu filho. Martins Fontes, 2004.
CASARJIN, Robin. O Livro do Perdão.
Criança diz cada uma...
Um post mais light, para marcar a volta ![]()
Estava guardando há algum tempo pra reunir algumas tiradas do meu sobrinho, Mateus, de 3 anos.
Cena 1 (na praia)
-Mãe, aqui na praia tem tubarão? (olhando para a praia)
-Não, querido, aqui não tem tubarão...
-E ali do outro lado?
-Também não, não se preocupe. Só tem muito longe daqui.
-Muito longe?
-Sim.
-Lá onde moram as pessoas chinesas? (porque ele não pensou em japonesas?)
-Não tão longe, meu amor!
-Mas quando tem tubarão na praia as pessoas não acreditam, e entram, e depois saem correndo dele, até que alguém vai matar ele...
(meu Deus, que tipo de filme andam passando na escolinha dele?!?!) ![]()
Cena 2
- Nossa, o Rafael tá com a garganta inflamada mesmo... (minha cunhada falando do meu cunhado)
- É... agora ele não vai poder ir pras gandaias dele... (ele realmente presta atenção nas falas da vó dele!)
- Mateus, o que é gandaia? (perguntei, depois de me matar de rir, pra ver se ele sabia mesmo)
- Gandaia é o nome de umas pessoas que a vovó não gosta.
(até que ele não está muito longe de acertar) ![]()
PS: Ca e Manô, eu deletei sem querer o último post (o do aviso) com seus comentários, desculpe, adoro vcs!
PS2: O que eu achava que ia demorar pra passar passou tão rápido que até me surpreendi! Que maravilha! 

Não, não é meu sobrinho... e nem o incrível Hulk quando criança.
É a promoção:
"Acerte quem é e leve grátis o Marcelo para um fim de semana na sua casa de praia". ![]()
Bjotchau.
Queria
E ele voltou para casa com a estranha sensação de que algo estava errado.
Aquela garoa parecia que queria lembrá-lo de algo.
Escovou os dentes, vestiu o pijama, checou os e-mails pela última vez no dia.
Teve um encontro estranho... sentia-se tão errado, incomodado, melancólico.
Preferiu ler algum livro antes de dormir.
E ele, sem conseguir se livrar daquela sensação de "não há nada de errado, está tudo em seu lugar", apagou a luz e tentou dormir.
Será que estava traindo os seus sentimentos?
Queria ter sido sincero...
Será que ela se sentiu como ele?
Queria tê-la abraçado um pouco mais...
Será que percebeu que não aguentava mais desviar o olhar?
Queria vê-la apenas por um minuto inteiro...
Será que conseguiria esquecê-la nesta vida?
Queria ter resignação...
O menino queria.
Queria viver ao seu lado e amá-la.
Queria esquecê-la e viver sem nunca lembrar.
Queria, porque alguma coisa aconteceu em seu coração.
Mas é um amor fadado a não encontrar abrigo.
Então o menino trancou o portão e plantou ciprestes no jardim.
Mas dentro está te amando. Lá pela janela da alma.
"All the pictures have all been washing black
I know someday you’ll have a beautiful life
I know you’ll be a star in somebody
else’s sky
But why, why, why can’t it be
Why can’t it be mine?" (Black - Pearl Jam)
Um pobreminha sempre dá
Na entresafra, vou contar um outro caso bizarro, destes que só deve acontecer comigo.
Foi no domingo de manhã, enquanto caia uma chuva torrencial em Curitiba.
Sou fã de jipes. Meu sonho de consumo é um Troller com rodas Wrangler, pra andar na cidade, viajar e passear na praia sem atolar. O que aconteceu na minha última viagem pra Zimbros foi reflexo disso: achei que o BEBO (meu Palio) fosse um jipe e fui com tudo na areia. Resultado: atolados (veja post do dia 12/09).
A Talita se formou comigo na faculdade, tinha um Térios, vendeu e comprou um Willys 74. No domingo de manhã, fomos na casa de um amigo nosso - o Tiago - ajudá-lo a empacotar as coisas porque está de mudança pra Cascavel (virou celebridade, vai ser repórter do Paraná TV).
A Talita passou me pegar em casa, de Jipe. Aconteceu mais ou menos assim:
Talita: Troquei os pedais e mandei fazer uma vedação nova para o assoalho, porque o motor fazia muito barulho e ainda entrava água por baixo, molhando quem estivesse no banco de trás.
Marcelo: Legal, vamos testar hoje nesse toró então. E o barulho diminuiu mesmo uma barbaridade, daqui a pouco vai dar até pra conversar aqui dentro, olha que maravilha!
- Tlim, tlim, tliimmm...
Talita: Ué, mas que raios...
- BUUUUURRRRRRRRRRRR

O escapamento caiu!
Talita: Nem fodendo que vou parar o carro no meio desse toró!
Acelerou e foi embora, parecendo uma scania!
- BUUUUURRRRRRRRRRRR
Introdução – ninguém alcança a felicidade sozinho
Ele às vezes cede um afeto
Ela só se despe no escuro
Vão viver sob o mesmo teto
Até que a casa caia
Até explodir o ninho
Até secar a fonte
Até trocarem tiros
Até casarem os filhos
Até um breve futuro
Até que a morte os una
Chico Buarque – O Casamento dos Pequenos Burgueses
A capacidade de interagir com os outros é uma marca que define o ser humano. É o que nos permite viver em sociedade. Podemos captar, sentir, e entender o pensamento das outras pessoas através da linguagem que criamos, uma característica da nossa mente que os animais não possuem.
Nós somos livres para fazer escolhas, para dizer “sim” ou “não”, para responder de um jeito ou de outro a algo que nos aconteça. Não vamos levar em consideração, por enquanto, aquilo que limita a nossa ação – a cultura, educação, as leis, a própria personalidade, etc. Os animais simplesmente obedecem ao que a Natureza manda (são os instintos): uma abelha fará colméias, uma formiga defenderá seu formigueiro (às vezes até a morte), uma lagarta se transformará em borboleta, não por opção de vontade própria, mas porque assim está determinado pela Natureza. Um esquilo não pode optar por fazer colméias, um gato não vai acordar um dia decidido a comer só vegetais.
Somos feitos pra viver em sociedade e temos a liberdade para fazer o que der na cabeça.
Já se imaginou sentindo algo sozinho? A gente acaba tendo que imaginar uma pessoa por quem sentir algo. Todo sentimento só existe por causa do outro, nas relações que temos na vida em sociedade.
Entre os grandes desafios que temos na vida, talvez o mais difícil seja aprender a se relacionar com as pessoas. Cada pessoa é um universo, como o do Pequeno Príncipe, com as diferenças de personalidades, que chamamos de antagonismos. Eu só me transformo nessa interação com o outro.
Depois de observar meus amigos terminando namoros, casamentos, é inevitável pensar melhor sobre o motivo de tudo isso: os relacionamentos. Aquela pessoa que era sua companheira, melhor amigo, cúmplice em tudo, acaba partindo. É um caso sério da vida.
Num primeiro momento pensei que escrever sobre isso poderia soar piegas ou banal (e pode mesmo), pois encontramos pessoas que dissertaram sobre o tema há séculos, e em qualquer livraria existem centenas de livros para qualquer gosto. Os bons poetas parecem ter essa capacidade de falar algo sempre novo sobre o amor, mas com certeza não é essa minha pretensão. Quero organizar as idéias, começar e construir o pensamento sobre essas idéias que vem surgindo na minha cabeça há tempos:
1º. – Somos livres para escolher a pessoa que amamos (ou pelo menos temos essa capacidade)
2º. – Somos nós que decidimos e temos que assumir as responsabilidades dessa decisão, a partir de uma reflexão séria.
3º. - Não há crescimento sem antagonismo de idéias.
4º. – Quando vemos na outra pessoa algo que sempre odiamos, escolhemos quase sempre afastá-la ao invés de encarar a dificuldade e trabalhar nossos medos. Afastamo-nos por medo de ser (ou descobrirem que somos) como ela, e acreditamos que afastando a pessoa estaremos afastando de nós também aquela “má característica”. Aprendemos a nos esconder. É a origem de toda exclusão por preconceito social, pois a pessoa nos lembra dos medos que ainda temos dentro de nós, ou daquilo que não queremos ser / ter.
5º. – Há uma satisfação pela convivência ociosa, mas a mudança para melhor só virá com essa reforma interna dos nossos medos (o que nem sempre é bom no começo). Não podemos nos tornar o que devemos ser se continuarmos sendo o que somos (é óbvio, mas profundo).
6º. – O amor não é a felicidade da ociosidade; amar dá trabalho, e advém do entendimento das diferenças. Cada conflito e entendimento é um tijolo de amor no castelo da felicidade. Não guardar lixo (mágoas) dentro de nós.
7º. - Em nome do amor não podemos ser coniventes com o erro das pessoas, nem afastá-las ou nos melindrar, mas saber dialogar. O amor cego nunca tem coragem de dizer o que precisa ser dito.
8º. - Todos erramos, por isso devemos perdoar. Nós também erraremos e precisaremos do perdão. Perdoar não é fingir que está tudo bem, quando você sente que não está. Perdoar não é ser conivente com o erro, ou reprimir a raiva. Para perdoar, não preciso dizer para a outra pessoa “eu te perdôo”, isso é perceptível de outras formas.
Não estou fazendo apologia aos relacionamentos conflituosos. Uma pessoa de temperamento instável, agressivo, sem estrutura emocional alguma, que acredita estar sempre com a razão, sem disposição alguma a melhorar e resolver seus conflitos, precisa receber tratamento conveniente o quanto antes. À medida que o tempo transcorre e a relação se torna mais íntima, essa pessoa, havendo perdido o respeito por si mesmo, passa a desconsiderar a pessoa ao seu lado, muitas vezes agredindo-a e atormentando sua vida. Ninguém tem a missão de salvar o outro, permitindo-se esses tipos de relacionamentos, porque ninguém é capaz de tornar feliz aquele que a si mesmo recusa a alegria.
São estes os temas (ou hipóteses). Agora, conto um pouco mais com a paciência de vocês até publicar o primeiro texto. E se tiver o prazer de receber os comentários de vocês, tenho certeza de que a discussão será bem melhor.
Obrigado, meus queridos amigos, adoro vocês.
What doesn´t kill you, make you stronger
Nunca é fácil ter que confrontar meus demônios pessoais. Um filme, um cenário, um pedaço de uma música e 'bum', sentimentos, lembranças e sensações são trazidas à tona. Já fazia mais de meses que não sentia isso, já fazia tanto tempo que pensei que sequer sentiria mais. Já passou.
Estou preparando uma fornada especial com textos sobre relacionamentos, que está exigindo um processo de imersão e meditação muito grande, no escasso tempo que possuo. Publicarei por capítulos, separados por assuntos, e no fim acredito que teremos um dossiê. Meus fiéis leitores, aguardem! A idéia surgiu em uma conversa com a Manô e teve apoio da LETi, obrigado a vocês.
Show do Lulu
Acabei de voltar do show do Lulu Santos! Tudo começou assim:
Na sexta-feira eu estava na fila do Guairá para comprar ingresso (pra mim e pro Carlão). Por ter ficado tanto tempo na praia, não pude comprar antes, e só faltavam alguns lugares no segundo balcão para completar a lotação. Mesmo assim, fui lá e consegui comprar – quase a última poltrona, da última fileira, do último balcão.
Pensei: “Não faz mal, melhor assim do que não ir! A gente leva aqueles binóculos de ópera e fica vendo o Lulu lá de cima!”
Mas eu não costumo ficar sentado em shows. Pra falar bem a verdade, eu sou o terror daqueles que estão ao meu lado – eu pulo, grito, danço e balanço os braços como um louco. Já acertei olho, nariz, pisei no pé, joelhada, e outras coisas que me renderam muitos mau-olhados.
Enfim, eu não gosto disso, mas estou tentando melhorar. É sem querer e ninguém é perfeito.
Hoje chegamos no Guairá e tivemos um plano. No verso do ingresso diz: “A numeração dos lugares vale até o início do show”. E se alguém não fosse ou chegasse atrasado para um lugar lá na frente da platéia? Essa era nossa idéia, e esperança.
Nem precisou tanto. Bastou ocultar-se no meio da multidão que entrava para a platéia e passamos despercebidos. E, assim que começou o show, fomos lá na frente e ficamos cara a cara com o Lulu.
O público curitibano é bem estranho. O show começa com todos sentados, comportados, em seus assentos, e depois de algumas músicas vão se soltando. Alguns chegam até a ficar de pé (incrível, não?). Outros mais ousados pulam e dançam também.
Cantei todas as músicas e me exercitei bastante, além de conhecer pessoas legais que estavam, como nós, de penetra lá na frente. E o mais engraçado era uma menininha (de 8 anos) que ficava fazendo uma dança do ventre (estilo Jade) misturada com axé! Teve uma hora que ela deitou no chão e começou a balançar as pernas no ar, era o máximo, rimos muito. E o Lulu também ria, ele olhava pra aquela figurinha e não conseguia se conter.
Mas a parte do Carlão gritando “Volta Lulu!” alternado com “Lulu, não me deixa aqui!” não tem preço.
Estou super cansado, mas feliz da vida. Dá vontade de pegar a guitarra de volta e tocar...